A Google manda um recado claro com as atualizações lançadas em 09 de julho de 2026: ela quer que “você solte o voltante”.
Sabe aquela campanha de topo de funil que você jura que funciona, mas o seu cliente (ou chefe) olha para o painel de conversões de 30 dias, vê um belo de um “zero” e ameaça cortar a verba?
Se você é um analista de mídias pagas, já teve calafrios ou lançou um olhar de velociraptor a ponto de atacar a presa com essa cena. A boa notícia, segundo a Google, é que ela finalmente treinou sua Inteligência Artificial para resolvê-las.
Direto do hot seat de uma sessão de perguntas e respostas moderada pela comunidade PPC Chat, Ginny Marvin — Ads Product Liaison (Especialista em Produtos de Publicidade) da Google, trouxe novidades que prometem mudar a forma como compramos mídia, mensuramos resultados e criamos anúncios.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo nas três grandes frentes anunciadas e documentadas pela Google neste mês de julho de 2026: a revolucionária métrica QFC (Qualified Future Conversions), as regras para aparecer nas Buscas com IA (Ads in AI Search), o ecossistema de Criadores de Conteúdo (Creator rights), e a inevitável Transparência na Era dos Anúncios Gerados por IA.
Olhos de pterossauro abertos, porque o controle manual está cada vez mais em risco de ser abatido. Será que isso é mesmo bom para você como anunciante? (não ter controle nenhum sobre o “seu” dinheiro)
Será que o velho ditado de que “o que não pode ser medido não pode ser gerenciado ou melhorado”, deve ser esquecido?
Qualified Future Conversions (QFC): a bola de cristal do ROI
O problema sempre foi quando medir. Para negócios B2B, SaaS ou nichos de Lead Gen com jornadas de consideração longas, a janela de conversão padrão de 30 dias é um verdadeiro tiro no pé da estratégia de Reconhecimento de Marca.
Para resolver o que Ginny Marvin chamou de “growth gap” (a lacuna de crescimento onde a criação de demanda a longo prazo é subvalorizada), o Google apresentou as Qualified Future Conversions (Conversões Futuras Qualificadas).
Como a mágica (ou matemática) funciona?
O QFC não é apenas uma janela de atribuição estendida; é uma métrica preditiva. Ela projeta as conversões que ocorreram ou que vão ocorrer em um período de até 180 dias após a interação com o anúncio.
- O Gatilho: A IA analisa interações iniciais (como uma pesquisa de marca feita logo após a visualização de um anúncio genérico).
- A Previsão: O sistema cruza esses sinais precoces com dados históricos para prever as vendas nos próximos 6 meses.
- O Resultado: Você ganha visibilidade financeira de campanhas que, antes, pareciam apenas torrar dinheiro sem gerar leads imediatos.
Nota do autor:
O recurso ainda está em fase de testes com anunciantes selecionados, mas será expandido globalmente até o fim do ano. Use esse tempo para alinhar metas com a diretoria: finalmente haverá dados concretos para provar que o dinheiro investido no topo do funil alimenta o fechamento da venda meses depois.
Anúncios na busca com IA: chega das "gambiarras" de correspondência
A pergunta de um milhão de dólares na comunidade era: “Onde está o botão para eu aparecer nos resumos de IA (AI Overviews) da busca?”
A resposta de Ginny foi, na lata: Não há botão. O jogo mudou.
Se você quer que seus anúncios sejam elegíveis para os ecossistemas de busca baseados em IA do Google, você precisa abraçar a automação. Isso significa adotar soluções como:
- Correspondência Ampla (Broad Match) na rede de pesquisa.
- Campanhas Performance Max (PMax).
- A nova tecnologia de campanhas de pesquisa AI Max (para onde os antigos anúncios dinâmicos – DSAs – estão migrando de vez).
Lances Inteligentes (Smart Bidding) obrigatórios.
Por que o Google exige isso?
À medida que as buscas dos usuários se tornam mais longas, complexas e multimodais, focar em uma palavra-chave exata perdeu o sentido. O modelo Gemini não olha apenas para o termo digitado, mas para a intenção do usuário e para o contexto da resposta gerada. A IA exige flexibilidade para adaptar o texto do seu anúncio em tempo real e garantir relevância máxima.
O que você ainda controla: O Google não tirou totalmente a sua direção. Você ainda possui controles de marca, exclusões de URLs e configurações de localização a nível de grupo de anúncios. Além disso, o AI Brief (que permite dar diretrizes em linguagem natural para a IA) chegará em breve para guiar o tom de voz das campanhas.
Parcerias com criadores: não é só para a Nike ou para a Apple
Existe um mito no mercado de PPC de que usar vídeos de influenciadores e criadores do YouTube no Google Ads é um luxo reservado a marcas com orçamentos milionários. Ginny Marvin fez questão de destruir essa narrativa.
Hoje, existem criadores focados em nichos extremamente específicos. Você tem um software SaaS para contabilidade? Existe alguém fazendo reviews sobre isso no YouTube.
Mas atenção às regras do jogo:
- Direitos de Imagem são sagrados: Sim, você precisa estabelecer acordos de direitos de uso com o criador antes de subir o vídeo dele como ad na sua conta. É uma parceria, e o ônus legal é do anunciante.
Facilitadores na Plataforma: O Google liberou ferramentas na aba de ferramentas e configurações para ajudar anunciantes de todos os tamanhos a encontrar, contatar e fechar o famoso handshake (aperto de mão digital) com esses criadores diretamente pela interface.
Transparência na IA: acabou o papo de "foi o estagiário que fez"
Com a popularização da geração de imagens e textos por Inteligência Artificial (dentro e fora do Google Ads), as regulamentações governamentais começaram a bater na porta. União Europeia, Índia e o estado de Nova York já exigem rótulos claros para conteúdos sintéticos.
Para se antecipar e garantir conformidade, o Google anunciou novas políticas de Transparência de IA.
O que muda na prática para os anunciantes?
- O Painel “Como este anúncio foi feito”: Os usuários agora podem clicar nos três pontinhos de um anúncio (no Search, YouTube ou Discover) e descobrir se ele foi gerado ou editado por IA.
- Automação do Google: Se você usar as ferramentas nativas do Google Ads (como o Asset Studio) para gerar imagens, o Google automaticamente embute marcas d’água invisíveis (SynthID) e metadados abertos (C2PA), rotulando o anúncio sem que você precise fazer nada.
- A Regra da Honestidade: Se você usou o Midjourney, ChatGPT ou Photoshop Generative Fill e subiu o ativo no Google Ads Editor ou na interface web, você é obrigado a marcar a opção “Rotular este recurso como criado ou editado com IA”.
Seja ético e evite dores de cabeça jurídicas. O Google já implementou a edição em massa desses rótulos no Google Ads Editor, então não há desculpa para não manter sua biblioteca de ativos (“Asset Studio”) em dia com as regulamentações.
A pérola do Dino!
As atualizações trazidas por Ginny Marvin deixam uma mensagem clara (que ainda não sei se gostei): o Google Ads deixou de ser uma plataforma para “apertadores de botões”, ajustadores de lances de centavos em palavras-chave; e, a parte que me traz receio, ele está tirando das mãos do profissional de alto nível técnico o controle de funcionalidades importantes.
Ele está se tornando um ambiente complexo de sinais preditivos e geração dinâmica de conteúdo, tudo automatizado e controlado pela plataforma. Você não sabe como isso é feito de fato e não terá mais nenhum controle manual, que é o que antes permitia ter maior segurança em seus investimentos na plataforma.
Isso não te transforma num mero espectador, um doador cego do seu próprio? É como dizer a um estranho: “está aqui o lucro da minha empresa, faça o que quiser com ele, apenas me mostre algum relatório no fim do mês”. Se essas “novidades” realmente gerarem resultados palpáveis, ROI verdadeiramente positivo, ajudar na redução do CAC e no crescimento das empresas, bem, aí meu “pé atrás“ terá sido em vão.
Recursos como o Qualified Future Conversions (QFC) prometem não apenas salvar o emprego de quem foca em longo prazo, mas levar o analista de mídias pagas à mesa da diretoria com dados de previsão financeira em mãos. A migração forçada para o AI Max e Broad Match exige que soltemos o volante operacional e passemos a ser estrategistas de negócio. Porém, ter controle da SUA operação, faz parte da estratégia. É a sua empresa, não da Google.
A era dos hacks acabou? Que a era dos dados primários (First-Party Data) e da direção de arte, estratégia com influenciadores começou, isso você provavelmente já sabe. Ou você tem dados primários para alimentar a inteligência “da sua conta” e trazer os clientes certos ou você não tem nada e vai torrar dinheiro à toa.
Isso nos deixa com uma pergunta incômoda, mas vital para o futuro breve: A sua conta de anúncios está sendo alimentada com os dados do negócio corretos (lucratividade, LTV, leads qualificados) para guiar o algoritmo, ou você ainda está cruzando os dedos esperando que a IA adivinhe quem é o seu cliente ideal?
Nota do autor:
A inteligência artificial está assumindo o controle da ferramenta de publicidade, mas só você pode construir a arquitetura de dados adequada e fornecer dados da sua empresa.
Pense nisso. A Google, com certeza, já está pensou.
Abraço do Dino! 🦖
Referências
- GOOGLE BUSINESS. Qualified future conversions. Accelerate with Google.
- MARVIN, Ginny. PPC Chat Q&A: Ads in AI Search, QFC & Creator Partnerships. YouTube.
- SHARMA, Keerat. Expanding AI transparency in ads. Google Ads & Commerce Blog, 09 jul. 2026.
- SUPORTE GOOGLE. Use AI content label settings and disclosures. Google Ads Help.
- SUPORTE GOOGLE. Use AI content label settings and disclosures. Google Ads Editor.
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