Continuo questionando o porque tudo tem de ser tão rápido.
Por qual motivo temos de forçar nosso cérebro a processar informações na velocidade da luz e tomar decisões incessantemente, precipitadas?
A cognição humana não é o processador de uma máquina de silício. Decisões envolvem fatores ambientais do nosso cotidiano, experiências, vivências diárias, além do arcabouço do nosso próprio conhecimento ou as limitações dele. Nada feito com tanta pressa pode resultar em decisões inteligentes.
A pressa não era “a inimiga da perfeição”? Agora, vivemos o quanto mais apressado, melhor.
Ninguém conseguiu ainda – e duvido que consigam tão cedo – me convencer que isso seja benéfico de algum modo.
“A IA acelera, as automações deixam tudo mais rápido, aumento de produtividade ultra rápida, faça em 2 horas o trabalho de 1 mês…”
Aprendi no design o termo “dormir com a ideia”. Isso significava deixar de lado por um, dois dias (ou mais) e voltar para revisar se continuava fazendo sentido depois do subconsciente processá-la. Nosso subconsciente não tem mais tempo de processar nada, é agora, agora, pra ontem, pra semana passada feito hoje começando às 9h pra terminar às 10h. Tsi, tsi! Tá errado eim gente!
Nada disso é verdadeiramente útil se pensarmos no ponto principal: NÓS, os seres humanos.
A função básica de qualquer ferramenta é servir ao ser humano, não escravizá-lo, não tornar-se indiferente e passar por cima de nós.
Minha vida profissional foi talhada em torno da tecnologia. Entretanto, a vejo como aquilo que é, ferramenta, meio. O fim dela, em suma, é nos servir. Infelizmente, nos tornamos escravos dos martelos que criamos. Para mim, não faz sentido. E pra você?
“E agora José? José para onde?”