O futebol talvez seja a melhor reprodução das arenas romanas em termos de “diversão”, mas tem suas bizarrices e um non sense absurdo que destoam da realidade. Ele sintetiza em si o “pão e circo” como nenhum outro evento de entretenimento. A “paixão” pelo futebol é tanta que movimentou mais de US$250 bilhões de 2020 para cá no mundo inteiro.
Algumas pessoas, sejam dirigentes associativos, executivos, jogadores — esses têm assessores e equipes de marketing que sabem faturar — e técnicos, que agora também entram nessa lista, fazem jogadas ora de valorização de seus clubes, ora de autopromoção como se tivessem reinventado a roda do futebol.
Um desses técnicos, que passou a assumir posição de destaque pelas conquistas é Abel Ferreira, do Palmeiras. Mas ele divide opiniões entre torcedores, rivais e principalmente, da mídia esportiva.
O que talvez os jornalistas, setoristas e influenciadores desconsiderem seja as habilidades de marketing dele. É um baita marqueteiro, tanto para o clube e jogadores quanto de si.
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A jornada no Brasil
Abel Ferreira desembarcou em São Paulo em 2 de novembro de 2020 para assumir o comando do Palmeiras, substituindo Vanderlei Luxemburgo.
Até então, não era um treinador aclamado. Como jogador, não pôde ser nomeado como craque ou gênio da bola, foi um lateral mediano com a carreira interrompida precocemente por lesões severas no joelho.
Teve um trabalho de destaque razoável na base do Sporting, clube por onde teve sua passagem mais longeva como jogador e onde encerrou sua carreira. Após a passagem pela base, levou o Braga ao 4º lugar na liga portuguesa de 2017-18 e um vice campeonato da Superliga Grega 2019-20.
Foi então que veio a virada de chave para sua chegada ao Palmeiras. O responsável direto por sua vinda foi Anderson Barros, o contestado executivo de futebol do clube, durante a gestão de Maurício Galiotte.
Segundo informações da SEP, já monitoravam Abel através de um banco de dados mantido pelo departamento de análise e scout.
Como o técnico chegou conquistando títulos, como o da Libertadores de 2020 e de 2021 em seguida, houve comoção geral e como já sabemos o funcionamento psicológico da imprensa em geral e claro, da idolatria e somatização emocional por parte dos torcedores, ele foi de gênio a “desgraça humana” muitas vezes.
Seu tom combativo aos melindres, intrigas, notícias falsas, especulações, distorções e distopias da imprensa brasileira rapidamente azedaram a relação. De críticas ferrenhas e análises rasas, segundo ele, a falas xenofóbicas contra o técnico por torcedores rivais e até jornalistas renomados, houve muitos episódios lamentáveis.
Apesar de defender Abel, a gestão do clube sabe que ele também não é nenhum santinho.
Nas minhas observações, o jeitinho “Gabriela, cravo e canela” do treinador não ajuda muito a defendê-lo, e olha que muitas vezes ele está totalmente correto em suas indagações, críticas, esporros e veja, há casos em que ele defende até mesmo a integridade física e saúde mental dos jogadores, ainda assim tudo isso é ignorado pela “forma como ele fala”.
“Eu nasci assim, eu cresci assim
E sou mesmo assim, vou ser sempre assim
Gabriela, sempre Gabriela!”
Ficar repetindo que é um ser humano, que é passional em campo, que é uma pessoa diferente fora do ambiente competitivo, não muda os fatos.
Porém, eu o compreendo 150%, porque no lugar dele, eu estaria ferrado. Diria as mesmas coisas e outras muito piores dos bastidores do futebol, só que sem tentar ser minimamente polido. Não sou do tipo que não dá nome aos bois ou que entra nesse mimimi da imprensa brasileira que parece sofrer de distúrbios crônicos de personalidade.
Contudo, qualquer um sabe que nem tudo pode ou deve ser dito, por mais que seja uma verdade irrefutável. Às vezes as pessoas simplesmente não estão prontas ou não querem ouvir a verdade e essa é uma realidade da cultura brasileira. Raros são os que querem saber a verdade, só importa se o time ganhou ou perdeu.
Se o time ganhou, o técnico é um gênio, mago, reinventou a roda, os jogadores são deuses. Se perdeu, o técnico é uma merda, tem que mandar embora, os jogadores não prestam mais. Tudo isso apenas três dias depois de uma vitória.
Agora eu vou chocar você que está lendo, porque este que aqui vos fala, é um intrépido são paulino desde os 8 anos de idade. Porém, como publicitário e marqueteiro, eu sei como funciona toda a máquina empresarial da indústria esportiva e jornalística, de comoção, manipulação e engenharia social por trás de um esporte global como o futebol. Tem muita grana e poder envolvidos.
“Quer descobrir o caráter de um Homem, dê-lhe poder.”
A palavra Homem, com “H” maiúsculo, remete a “ser humano” (homo sapiens sapiens) caso você não saiba. Não tem relação com gênero.
No marketing não é diferente
Se você ainda não entendeu porque estou falando de Abel Ferreira relacionado ao marketing, te explico.
Essa mesma bipolaridade que é vista no futebol é apenas um reflexo do comportamento social e pasme, da maior parte dos empresários brasileiros. É muito comum termos um mês com resultados muito acima da média, outros razoáveis e outros ruins.
É a vida, porra. Não é algo que aconteça só com uma determinada empresa. Acontece com a sua, com a do José, da Maria, com a indústria metalúrgica, agronegócios desde a agricultura familiar à de precisão, deliveries, psicólogos, agências, varejistas, todo e qualquer tipo de negócio.
Mas… se num mês você supera a meta de vendas em 30% acima e no outro ela fica 10% abaixo, fodam-se os 30% acima que você ajudou a gerar no mês anterior. Você não presta mais.
Na reunião de avaliação do mês anterior o dono da empresa te chamou de gênio, enalteceu sua competência, dedicação, empenho, envolvimento com todas as equipes internas, os resultados maravilhosos. Na deste mês, bem, a reunião deste mês não aconteceu porque o cliente cancelou o contrato, não pagou e você profissional ou agência amanheceu sem acesso às contas. Simples assim, como se um contrato e papel higiênico sujo fossem a mesma coisa.
Alguma semelhança com o comportamento da gestão de clubes e da imprensa? — (rs!) a pergunta é retórica, viu.
Tem um ditado que diz: “Não existe propaganda ruim”. Propaganda ruim, também é propaganda. O que importa mesmo é a mensagem ser transmitida, porque ela vai sendo gravada no subconsciente dia após dia, até ser normalizada. Isso é engenharia social na prática.
Duvida? Veja o caso das bets. Em 2018 foi sancionada a lei que regulou as permissões às pressas, sem nenhum tipo de avaliação de impacto social de médio e longo prazo. Passou por algumas rasas modificações até 2024 quando a coisa começou a explodir.
Agora, em 2026, o que já era evidente em 2021 teve de virar debate público, gerar imposições urgentes e estão sendo discutidas regulamentações mais restritivas, porque virou problema de saúde financeira e mental da população e até de segurança pública.
Tanto as empresas do setor quanto as agências, publicitários e órgãos públicos, políticos e reguladores têm sua parcela de culpa por transformar o país nessa latrina de degenerados viciados em jogos de azar.
O mesmo está acontecendo com a imprensa há décadas. Para acompanhar o ritmo insano das mídias digitais e hiper atenção promovida por influenciadores, a chamada mídia tradicional entrou em rota de colisão e escalou o sensacionalismo ao nível de circo de horrores.
Será que a engenharia social realizada pela imprensa e o marketing do Abel Ferreira têm culpa na exagerada polarização do fanatismo?
Leia também: Impacto das apostas e publicidade das bets no Brasil
Ele tem títulos, mas justifica o comportamento?
“Meu temperamento é sanguíneo” justifica os ataques ao ambiente em que ele mesmo trabalha?
Primeiro, contexto. Ele tem títulos pra caramba.
Títulos Internacionais (3) | |
CONMEBOL Libertadores | 2 títulos (2020 e 2021) |
CONMEBOL Recopa Sul-Americana | 1 título (2022) |
Títulos Nacionais (5) | |
Campeonato Brasileiro | 2 títulos (2022 e 2023) |
Copa do Brasil | 1 título (2020)’ |
Supercopa do Brasil | 1 título (2023) |
Não serei eu o hipócrita aqui tá, porque eu faço algo muito semelhante na minha área, exponho as entranhas e a sujeira dos bastidores do marketing. Então quem sou eu para ser o arauto da moralidade, cagador de regras para o comportamento do Abel. Não sou muito diferente dele.
Se uma pessoa me faz uma pergunta dúbia, capiciosa, com intenções ocultas embutidas ou com aquelas ofensinhas veladas em tom de “eu falo mansinho”, “minha vozinha esconde meu tom passivo-agressivo”, na minha mão, esse tipo de gente vai se foder de 0 a 100 em 0,1 segundos.
O que eu faço diferente dele é que, primeiro, disseco o que está oculto e jogo toda a merda do passivo-agressivo no ventilador, na cara da pessoa (frente a frente) e só então eu respondo baseado nos fatos, dados, na verdade como ela é. E nem sempre eu gosto da verdade como ela é tanto quanto qualquer um, só não me escondo dela ou varro pra debaixo do tapete.
Entretanto, o tempo (senhor da razão), a idade, as décadas de experiência lidando com pessoas ensinam umas coisinhas, sabe. Tem uma resposta simples que arrebenta o manipulador como um soco do Mike Tyson: “Lamento, mas não vou participar da polêmica frívola que você está tentando criar. Se tiver uma pergunta íntegra para um debate útil, pode fazer”.
Ele já fez isso em certas ocasiões. Se negou a responder uma pergunta que considerou impertinente ao momento e deu ao entrevistador a oportunidade de fazer outra.
Abel usa expressões que são mais velhas que andar pra frente: “ninguém ganha tudo, sempre”, “no fim, só um ganha”. Não é um fato isolado dos esportes, faz parte da vida de todo mundo.
Será que estamos todos cegos?
Será que a imprensa brasileira é melhor ou pior que a do resto do mundo?
Será que essas mesmas perguntas, essas mesmas narrativas da mídia, não acontecem em outros países?
Para todas essas perguntas, a resposta é SIM.
Estão todos cegos por não perceberem o que está sendo feito com este tipo de condução, de manipulação dos fatos.
A mídia brasileira apenas reproduz um padrão internacional, não é novidade.
Sim, este comportamento de manipulação para a polarização extremista em relação ao futebol, política, tudo, acontece no mundo inteiro. Portanto, não é exclusividade do nosso país. A diferença é que aqui tem alguns agravantes e é neles que o Abel tem batido com veemência.
No meu entender, o comportamento do treinador é tão agressivo quanto a mídia em geral é com os treinadores, jogadores, clubes.
As emissoras, jornalistas, canais digitais — seja no Youtube ou qualquer outro — e influenciadores podem tentar se omitir e esconder que a violência nos estádios não tem participação deles. Tem, diretamente por suas falas de polarização, de ódio até sobre a cor do outro clube.
Gente, veja o absurdo insano, uma pessoa não poder entrar vestindo verde num clube, não poder usar azul porque a cor do seu time é vermelha. Isso é debilidade mental num nível que o cérebro da pessoa é menor que uma bactéria, que um vírus, que um átomo.
A recíproca deve ser verdadeira. Agressividade e violência são sinônimos? Não creio e o dicionário também não tem essa correlação.
Por exemplo, um atacante “agressivo” quer dizer que ele ataca os espaços com contundência, ofensividade extrema, confunde os zagueiros. Qualquer esportista precisa ter por padrão um nível de “agressividade”, que define o seu nível de competitividade, explosão física. Em momento algum isso está relacionado a violência, está?
Vamos nos lembrar que antes de ser treinador, ele foi jogador. Vamos nos lembrar que ele está num ambiente de competição. Vamos nos lembrar que, obviamente, a agressividade deve prevalecer em campo no nível do jogo. Vamos nos lembrar que ele, assim como todos os envolvidos, é um ser humano e em algum momento, vai fazer merda.
Mas vamos lembrar ao senhor Abel Ferreira que ele aceitou vir ao futebol brasileiro e quem tem de se adaptar à cultura brasileira é ele. Não somos nós que temos de nos adaptar ao excelentíssimo, nobre, fidalgo técnico. Caso contrário, ele continuará sendo alvo de afirmações como “supremacista” ou “colonizador”.
Justifica os ataques diretos dele à imprensa, à mídia como um todo? Em alguns casos sim, em outros não.
“Mas o time está jogando mal. Ele tem que ser mandado embora. O time do Palmeiras precisa de mudança. O elenco não responde. Precisa contratar mais jogadores, vender os que não deram certo.”
Gente, gente, gente!
Levem essa cultura propagada pela mídia esportiva para o ambiente empresarial e nenhum desses mesmos jornalistas, setoristas, influenciadores, durariam mais que um mês no emprego.
Onde o marketing do Abel é bom
Na minha visão, está todo mundo certo em alguns pontos, todo mundo errado em muitos pontos. Se eu mudar a gestão de uma empresa a cada 90 dias no máximo, a tendência de ela falir em até dois anos é de 1000%. Vai acontecer com absoluta certeza. Isso é insustentável organizacionalmente.
Onde o marketing que o Abel Ferreira faz é muito bom?
Ele, português da cintura mais dura que um tronco de aroeira, está sambando como mestre-sala de escola de samba na cara de toda a imprensa do Brasil.
Ao trazer a atenção para si, ele tira muito do foco sobre o clube, jogadores e blinda de certa forma a marca. Como os ataques acabam sendo muito mais sobre a figura dele, ele se mantém no controle das narrativas, contra-ataca para manter em voga o assunto que ele (ou a diretoria) quer e repetimos tudo daqui a três dias.
Mas isso tem um preço, a CBF e a Conmebol começaram dar punições mais pesadas a ele. Vários técnicos brasileiros têm comportamento idêntico. Chutam copo d’água, chutam microfone (sim, não foi apenas o Abel), partem pra cima da arbitragem com desatino.
Nenhum destes órgãos, muito menos a arbitragem — que está um lixo no mundo inteiro — podem ser eximidos deste processo.
O melhor do marketing dele é fazer tudo isso ficar exposto. Pode parecer que está feio pra ele, e está. Mas está muito mais feio para a CBF, que deixa tão claro como um cristal que não tem interesse nenhum numa arbitragem melhor, em melhorar o calendário, padronizar os campos e gramados, melhorar o espetáculo em si, que ela cagando e andando para a saúde física e principalmente mental dos jogadores. Afinal, eles são o ativo financeiro mais importante para os clubes, depois da torcida — seus consumidores.
Abel faz um ótimo marketing pessoal por um lado dentro de campo, péssimo por outro fora dele. Porém, ele se tornou um baita embaixador do clube e da torcida ao declarar a paixão nutrida pelo Palmeiras.
Tem verdades aí? Creio que sim.
Tem partes que são jogadas de marketing? Também. É visível e notório. Não tem nada de errado nisso.
Há espaço para um marketing melhor?
Como são paulino, eu adoraria ter um técnico como Abel no São Paulo Futebol Clube? Mas é obvio que sim.
Contudo, eu quero mais é que o Palmeiras se lasque. Kkk
Só que, como publicitário e marqueteiro, não dá para ser um completo imbecil e deixar de avaliar a trajetória vencedora e o que esse marketing em determinados momentos positivo, noutros negativo, trouxe de benefícios para ele e para o clube.
Junto com a figura de João Paulo Sampaio na base, eles se tornaram fenômenos midiáticos no país, tanto pela revelação de jogadores e títulos quanto por suas posturas.
Enquanto o dirigente da base é extremamente calmo, comedido, sereno em suas entrevistas, com uma habilidade ímpar em tornar perguntas difíceis em respostas esclarecedoras, Abel coleciona desafetos e admiração ao mesmo tempo.
A pergunta é: há espaço para um marketing melhor do técnico?
Em tudo na vida, se estamos vivos, há possibilidade de melhorar.
Abel, terapia ajuda tá! (rs)
Brincadeiras à parte, venho analisando este cenário há anos como um estudo de caso de marketing. É interessante observar suas reviravoltas.
Quando o time vence, as entrevistas são mais leves, até descontraídas. Todavia, quando perde, parece que ele já vem com setecentas pedras em cada mão pronto para metralhar.
Percebo alguns pontos em que falta tato da assessoria de imprensa do clube e do próprio treinador e outros em que os indivíduos da mídia também tiram proveito para gerar “engajamento burro”, já sabendo do temperamento do técnico.
Alguém que eu jamais, sob hipótese alguma colocaria num coletiva, é seu auxiliar técnico João Martins. Se tem quem ache o técnico “destemperado”, como já vi alguns jornalistas dizerem, o sr João Martins vai de 0 a MIL numa velocidade absurda. Garante umas risadas, mas é ruim para o marketing — há patrocinadores envolvidos.
De um lado, essas polêmicas excessivas geradas em torno da instituição, comissão técnica, garantem muito mais exposição dos patrocinadores. Este é um dos motivos que me fizeram começar essa análise. Será estratégia com esta finalidade tantas polêmicas?
Será estratégia para tirar o foco que dos últimos 9 títulos disputados até este momento, ter ganhado apenas um campeonato paulista?
Veja, a frase “ninguém ganha tudo, sempre” é bem óbvia. Se alguém acredita mesmo que um único clube será campeão de tudo para todo o sempre, veja a história do meu SPFC como exemplo. O que ganhou desde 2008? Uma Copa Sulamericana por W.O., um Paulista, uma inédita Copa do Brasil. Três títulos em 18 anos, com elencos um pior do que o outro.
Falando por um instante como torcedor, o último elenco de razoável para ruim do São Paulo foi o de 2012. Dali pra frente foi só pra trás. O elenco atual é, incomparavelmente, o pior de todo este período.
E tem palmeirense que ainda está reclamando de ter ficado 2025 sem nenhum título e depois de 2023 só ter ganho dois Campeonatos Paulsta.
Vamos fazer um cálculo rápido, matemática básica de mobrau (ensino fundamental):
- Série A Brasileirão: 20 clubes.
- Libertadores da América: 47 clubes — no formato atual 19 clubes disputam a Pré-Libertadores e 28 entram direto na fase de grupos.
- Copa do Brasil: 126 clubes — 102 dos campeonatos estaduais, 20 da série A entram na quinta fase, 4 vagas para campeões da Copa do Nordeste, Copa Verde, Séries C e D.
- Copa Sul-Americana: 44 clubes — com seus critérios específicos de classificação para times de Brasil e Argentina direto para fase de grupos e disputa preliminar de 32 clubes dos demais países da América do Sul.
Além destes, temos as super copas, disputadas entre o vencedor do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil do ano anterior, e do campeão da Libertadores contra o da Sulamericana.
SÓ GANHA UM TIME EM CADA, PORRA!
Neste ponto, não é retórica do Abel Ferreira, é a verdade como ela é. O fato de ele citar tanto o Guardiola e o Manchester City, para mim, não é mera coincidência.
O técnico do City colecionou 20 títulos em exatos 10 anos. Também foi questionado em vários momentos. Já o palestrino, conquistou 11 em 5 anos. A forma de atuação dele fora de campo tem semelhanças com a do espanhol? O que você pensa?
É muito marketing envolvido, gente, muito mesmo!
Se você trabalha numa empresa ou tem uma, obviamente ela tem um departamento de marketing. Pelo menos, deveria.
Sem contar as marcas de patrocinadores estamos falando de 237 clubes em 4 competições. Gente, é muito marketing para fazer. Se você não trabalha na área, não faz ideia de tudo que envolve um departamento de marketing.
Quem pensa que fazer marketing é bostar qualquer coisa em mídias sociais ou apertar uns botões e por um anúncio feito nas coxas no Google Ads, por favor, consulte um psiquiatra.
Grandes clubes, grandes orçamentos. Pequenos clubes, pequenos orçamentos ou quando em vez, quase nenhum. Estamos falando de milhares — ou milhões — de empregos diretos e indiretos, incluindo funcionários, assessores de imprensa, jornalistas, repórteres, âncoras, comentaristas de jogos e arbitragem, setoristas, influenciadores especificamente do futebol.
Deveriam estar todos juntos discutindo junto com CBF e Conmebol as melhorias para o setor, que como já dito no início, movimentou mais de $250 bilhões de dólares desde 2020. Infelizmente, como ambas as instituições são empresas privadas sem interesse em melhorias reais que não sejam para o seu próprio fluxo de caixa, não há espaço para um debate amplo com todos os envolvidos.
Pelo menos desde abril deste ano de 2026, houve avanços de tartaruguinha com a CBF promovendo debates com dirigentes, o que acarretou em parcas mudanças nas regras de arbitragem, profissionalização dos árbitros e a possibilidade de a entidade ancorar a criação da Liga Única.
Você não pode ser tão inocente e descartar o papel de Abel Ferreira nessas mudanças, por mínima que seja. Técnicos como Tite, Rogério Micale, Mano Menezes, Renato Gaúcho e Jorge Jesus, foram também os principais expoentes de críticas e alterações em regras.
Tente pensar como um Diretor de Marketing de um clube de futebol por um instante. Você precisa:
- Lidar com a composição da equipe — está cada vez mais difícil contratar profissionais de alto nível pela escassez e desvalorização nas remunerações — junto com o RH;
- Desenvolver o planejamento estratégico e todas as ações on e offline e gerir a verba disponibilizada pelo clube;
- Adquirir marcas de patrocinadores cada vez melhores que invistam mais no clube — mas depende do desempenho esportivo para isso;
- Promover as ações de comunicação e mídias de eventos, contratações, imprensa, coletivas;
- Atuar junto ao compliance e gestão de crises — e haja gestão de crises com o Abel (rs);
- Marketing digital e mídias sociais;
- Venda de ingressos;
- Prestar contas a diretores, conselho, financeiro, fiscal, CEO (no caso das SAFs), CFO, COO;
- e muito, muito mais.
Em suma, vai lidar com centenas, talvez milhares de pessoas o ano todo. O diretor de marketing não tem a opção de ficar escondido como os conselheiros vitalícios dos clubes associativos, que só aparecem quando lhes convém politicamente.
Se ele não fizer um trabalho impecável, a instituição inteira pode ruir pela falta de dinheiro para manter a estrutura. Quando o elenco tem desempenho esportivo minúsculo, isso deixa de ser uma tarefa difícil e passa para “a arte de fazer o impossível ser possível”.
Leia também: O que é o ecossistema do marketing?
O Abel é chato, mas gera resultados esportivos e muita grana à SEP
O que ninguém pode negar é que o Palmeiras desde Paulo Nobre mudou completamente. O que duas quedas para a série B não fazem, eim?
Uma escolha teve de ser feita: introduzir gestão profissional, responsável, ter marketing de alta performance real, investir pesado nas categorias de base ou cair o nível até virar um time de 5º escalão, no máximo.
Paulo Nobre foi este divisor de águas. Maurício Galiotte e Leila Pereira seguiram no padrão estabelecido e, pasmem, tudo em que até 2007 o SPFC era referência e foi lançado à latrina da incompetência, o Palmeiras fez e deu continuidade até engolir todos os clubes paulistas e de todo o Brasil, à exceção do Flamengo, que também seguiu por este caminho após flertar com o rebaixamento.
Agora, há um problema latente nos três — SPFC, Leila Pereira e Abel Ferreira: o EGO.
O ego fez o SPFC se apequenar a ponto de sua gestão administrativa, da categoria de base e REFIS outrora referência mundial, virarem chacota.
O ego faz com que a presidente e o técnico da SEP sejam alvo de deboches, memes e polêmicas desnecessárias ao futebol. Nada disso ajuda a melhorar o esporte, muito menos o “espetáculo”. Tornam-se, sim, um show de horrores à parte que desvalorizam o produto.
Imagine por um instante Abel chegando numa sala de coletiva e deparar-se com ela vazia, sem ninguém para lhe entrevistar num pós jogo, seja uma vitória ou derrota.
Imagine o Abel negar-se a dar entrevista ou fazer o papelão que o clube fez com o falecido Paulo Morsa, banindo o histórico jornalista das dependências do clube por uma fala infeliz. Se fosse assim, teriam de ter banido o próprio treinador após seu ridículo discurso machista.
Imagine toda a imprensa, com exceção das próprias e as setorizadas, deixarem de repercutir qualquer notícia sobre o Palmeiras, Leila, Abel, simplesmente inexistirem em suas pautas.
Percebe o peso disso para os patrocinadores do clube, seus “anunciantes”?
Um clube de futebol é como a Google ou Meta, dependem em praticamente 80% dos anunciantes para suas entradas financeiras. O volume financeiro da venda de ingressos é ínfimo se comparada às despesas dos clubes, representando em média 12% do seu faturamento bruto, segundo a EY.
Pensar que os resultados esportivos dos títulos que Abel conseguiu, junto com o elenco de jogadores e comissão técnica não impactam sobre os acordos financeiros de patrocínio, é de uma debilidade cognitiva digna de terapia psiquiátrica por internação sumária.
Ele é chato nas coletivas? Demais. Prolixo, às vezes confuso propositalmente, desvia o foco das respostas sabe-se lá pra onde — talvez Nárnia, Terra do Nunca, País das Maravilhas. Mas não dá pra negar que esportivamente ele se superou.
De um técnico desconhecido, com zero títulos, o Palmeiras deu a ele uma vitrine e respaldo que, francamente, ele não teria em outro lugar nas condições em que se encontrava.
Por isso mesmo, menos Abel. Não inventou o futebol, não reinventou a roda, não está fazendo nada de novo. Menos ego, mais futebol, mais espetáculo.
Eu concordo com o que ele disse: “eu faço o que pode ser feito, com o que tenho em mãos”. Eu uso exatamente essa mesma filosofia de trabalho há décadas.
No marketing, não dá para pedir uma verba de 100 mil reais mensais para fazer um trabalho memorável, numa empresa que fatura 100 mil por mês. É preciso fazer um trabalho memorável com 6, 7, 10 mil por mês, ajudar a empresa a faturar mais e só depois, ter a verba de marketing aumentada. Escale isso aos milhões e o nível de exigência será multiplicado cada vez mais.
É matemática e a matemática nunca mente, só as pessoas mentem.
Abel está certo em muitas coisas, errado em muitas outras. Se focarmos mais no que ele está errado ao invés do que aquilo em que ele está totalmente certo e será benéfico para o futebol brasileiro, para o esporte como um todo, para os clubes e principalmente, jogadores, algo muito errado não está certo, e é no caráter, nas intenções de quem faz isso.
Ele gera muita grana ao seu empregador e patrocinadores. Acredito que dá para aproveitar melhor o que ele quer fazer além disso. Talvez, o que ele precisa, sejam ajustes para evitar essa rota de colisão interminável com a imprensa, com a “mídia”. Chega de Abel coitadinho.
Quer ser fodão? Então segura e mantenha a postura de fodão.
Não dá é para tolerar ser o fodão quando ganha e o coitadinho, o “todos contra nós, contra mim” quando perde. “Menas Abel, menas.”

A pérola do Dino!
Se você é são paulino do tipo fanático irracional, imagino que de alguma forma você vai me esconjurar, odiar, xingar. Fique à vontade, porque eu cago e ando para não fazer monte grande.
Você tem direito a ter sua opinião e expressá-la, mesmo que eu não concorde ou nem seja verdade. Opinião nem sempre tem relação com a verdade. Aqui, por exemplo, eu teci as minhas opiniões em relação ao marketing e do trabalho técnico de Abel Ferreira, do suposto arquirrival histórico do SPFC.
Eu os considero nossos adversários, como qualquer outro — tem um temperinho a mais aí, é claro. Porém, aprendi no caratê (e no dicionário) que adversário e inimigo não são sinônimos.
Podemos ser adversários e nos sentarmos lado a lado no estádio. Inclusive, eu parei de ir em estádio há mais de vinte anos, depois que aqui em Goiás as torcidas do Goiás Esporte Clube e do Vila Nova começaram a se matar como animais insanos.
Antes disso, nós íamos todos juntos ao estádio e ficávamos na “geral”, que era só um escadão e tinha os ingressos mais baratos. Cada um com a camisa do seu clube, torcendo juntos, zuando com a cara um do outro. Um bolo de torcedores do Goiás de um lado balançando sua bandeira e literalmente do lado, um bolo de gente do Vila Nova agitando a sua bandeira.
Acabava o jogo, ia embora todo mundo junto. Quem perdia tinha de aguentar a zueira, óbvio. Às vezes já saímos dali direto para algum campinho próximo jogar, todo mundo junto e misturado.
Abel Ferreira não é nosso inimigo. Talvez ele não tenha olhado um pouco para o próprio umbigo. Boa parcela das mazelas culturais do nosso país, a corrupção, a burocracia, o ódio enrustido e arraigado, têm origem certa, e ela é portuguesa. Isso é fato histórico.
Falo com propriedade porque já atendi empresas portuguesas. Todas reclamam das mesmas coisas que nós e o que pude comprovar é que a nossa “burrocracia” veio junto com as caravelas. Mas e daí?
Estamos em outro século e porque ainda não mudamos isso, se é tão nocivo?
Mas eu tenho uma pergunta certeira e direta:
Se eu for dentro na sua casa falar mal do seu país, da cultura dele, achincalhar suas origens, você vai gostar de mim, Abel? As pessoas da sua casa, do seu país, vão gostar de mim, ainda que o que eu diga seja verdade?
Por exemplo, eu como goiano, sei todos os defeitos culturais do meu estado e dos nativos daqui. E eu posso falar porque eu vivo e convivo até com o que eu não concordo, mas se vier alguém de outro estado falar mal, eu vou mandar tomar no cú.
Aqui a gente é parecido com os mineiros em algumas coisas, só que com uma pitada extra de uma eventual grosseria gratuita. Porém, em geral, Goiás tem gente acolhedora, hospitaleira, que sempre vai te receber de braços abertos e um cafezinho quente e gostoso. “E ai docê se fizé disfeita de recusá!”
Não concordo com tudo o que você diz, mas entendo a parte boa. E ela basta, porque você é tão humano quanto eu e todos nós neste planeta. Como todos os humanos, você erra. Até o Bill Clinton errou e foi “perdoado”, né!?
Meu recado a você torcedor, seja de que time for, pare com a hostilidade e violência. Se é palmeirense, vá abraçado ao estádio com o seu irmão, primo, amigo são paulino, corintiano, flamenguista, vascaíno. Pega tua família de colorados e vá ao grenal com a família do vizinho gremista. Precisamos mudar os padrões. Passou da hora.
Exija que os jogos de torcida única sejam extintos pelo comportamento, não pela gritaria. Não faz sentido. É só um jogo de futebol para celebrarmos juntos um esporte, um bom espetáculo. É apenas diversão.
Se as torcidas pararem de ir aos estádios caso as entidades organizadoras não tomem providências de acabar com isso, não tem mais espetáculo. Os patrocinadores vão embora, a publicidade não entra dinheiro e o império declina.
Os órgãos reguladores e justiça precisam urgentemente parar de punir os clubes pelas ações de indivíduos. Identifiquem imediatamente, pois há recursos tecnológicos para isso, prendam e condenem com rigor. Proíbam que este tipo de pessoas entre novamente num estádio para o resto da vida.
Pessoas de bom caráter, ordeiras, que querem apenas se divertir com amigos, familiares, levar seus filhos ao estádio, não merecem ser obrigadas a estar no mesmo ambiente que gente hostil, criminosa, que sai de casa para praticar violência, agredir outras pessoas, serem racistas.
Isso é ruim para os negócios, para o marketing, para o esporte, para todos. É tão difícil assim enxergar isso a agir pelo certo?
Abel Ferreira não é vilão nem vítima, é um bom profissional que também dá suas mancadas. Ele pode e deve melhorar. Nós também. Tá todo mundo precisando reduzir o chilique, harmonizar as ideias — não harmonização facial — e desfrutar do verdadeiro bom futebol.
Abraço do Dino! 🦖
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