Enquanto muitos países extirparam o uso de dispositivos eletrônicos em salas de aula e voltaram ao papel e caneta para preservar o desenvolvimento da capacidade cognitiva e habilidades humanas, no ambiente profissional essa equação foi invertida, com uso indiscriminado.
A qualidade do conteúdo em mídias sociais e de textos profissionais está tão ruim, tão ruim, que aumenta muito mais a possibilidade de evasão do que a permanência dos usuários.
É exatamente o oposto da intenção, certo?
A bolha das IAs já estourou e ainda tem gente olhando para o futuro delas ao invés de corrigir o presente. É no agora que se constrói o futuro, pelo menos foi o que aprendi.
O conteúdo lixo é proporcional à quantidade de gente buscando atenção nas mídias sociais, seja no Instagram, TikTok ou Linkedin. Independentemente da plataforma, porcaria, porcaria e mais porcaria, lixo visual e textual. É um amontoado de merda irremediável.
Quem são os culpados? As plataformas? Não! É quem usa a ferramenta, a coisa, com idolatria e cegueira cognitiva.
Inteligência artificial, pensamento, cognição
Já fiz um longo artigo, A trilha da IA de Stanford, explicando exatamente como funcionam as calculadoras de probabilidades, que dentro do próprio curso CME295 da universidade explica que as “inteligências artificiais” não pensam de verdade.
E repito, como sempre digo, que a eficácia da ferramenta depende da inteligência humana por trás das tarefas executadas. Quando o repertório intelectual do operador é medíocre, ínfimo, os resultados serão correspondentes.
O mesmo se aplica quando o indivíduo é bem preparado, tem domínio sobre o assunto abordado e conduz de forma inteligente o uso da máquina que processará as informações coletadas.
Um texto pobre reflete o nível de conhecimento do autor. Um visual pobre, poluído, reflete o desconhecimento do usuário sobre os fundamentos e elementos de design. Um código falho, inseguro, igualmente. É tudo óbvio demais para ser ignorado.
Privacidade e o óbvio que fingem não ver
A privacidade, questão amplamente debatida e endurecida em camadas superficiais é uma piada. Enquanto de um lado temos configurações cada vez mais complexas de coleta de dados, do outro as pessoas instalam ferramentas de IA em seus celulares, notebooks e computadores escancarando sua vida profissional e pessoal, através de “conectores” que varrem suas entranhas, raspam dados sigilosos, íntimos, gerando brechas de segurança perigosas.
Será que ninguém percebe isso, mesmo sendo tão nítido? Será que ninguém pensa sozinho mais, pela própria natureza de ser um “ser pensante”? Ou será que seres pensantes são a próxima joia rara a ser redescoberta num futuro distante?
Não sei você, mas pensar em tudo isso como teoria da conspiração não prova ignorância sobre o assunto, é prova de negacionismo burro contumaz.
Vejamos os próximos capítulos dessa patuscada geral e histeria delirante coletiva na idolatria às máquinas. Ficarei de cá, assistindo e me adaptando ao próximo ciclo de loucura mercadológica.
Sobrevivi a mais de 30 anos de avanços tecnológicos, fazendo da tecnologia uma ferramenta eficaz e potencializadora para o trabalho. Sobreviverei a mais 30 com ou sem ela. Será que você pode dizer o mesmo?
Abraço do Dino! 🦖
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