Neste domingo, 19/07, a Copa do Mundo FIFA de futebol teve seu epílogo com a Espanha sagrando-se campeã. A arrecadação recorde da organização superou os $70 bilhões de dólares.
Mesmo com o caos instaurado pelo egocêntrico governo estadunidense com cancelamento de vistos; turistas, jornalistas renomados, delegações de países participantes e até árbitro (só um dos melhores do mundo) impedido de entrar no país. A copa dos ricos venceu com ingressos que chegaram a 7 mil dólares.
Foi uma esculhambação digna de roteiro de comédia pastelão. Deviam fazer um filme sobre a atuação patética e omissa da Fifa, incluindo os países participantes, que ficaram cada um com seu cú na mão, escondidinhos, sem nenhum posicionamento sobre os graves ocorridos.
Fora a atuação ainda mais patética da torcida argentina, que foi para terra do Tio Sam mostrar o que têm de pior de seu arraigado racismo, péssima educação e soberba futebolística que só pode ser explicada por psiquiatras.
Além deste (da Fifa), outros recordes foram batidos (nem todos bons). A CazéTV, canal oficial de transmissão online para todos os jogos, alcançou incríveis 24.227.687 aparelhos conectados simultaneamente, na semifinal França e Espanha.
O CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) aplicou liminares na emissora em razão da postura de incentivo excessivo a apostas das famigeradas bets, com sugestões de palpites e probabilidades (‘odds’) em tempo real em suas transmissões.
Com isso, adotaram uma postura dita “mais conservadora”, com propagandas restritas aos intervalos comerciais e parando de incentivar palpites em tempo real durante a locução ao vivo. Outras emissoras também foram alvo de investigação.
O número de intervenções era realmente alucinante. Chegavam a passar bem mais de 5 minutos ininterruptos somente falando em apostas (falando do que eu vi, pessoalmente), incentivando loucamente à insanidade de palpites em tempo real: “aposte, aposte, aposte, não perca essa odd, garanta agora sua fezinha, você é louco se não aproveitar etc.”. Que show de horrores.
Você se lembra de alguma outra publicidade além de bets durante o evento? As que eu me lembro, como a do Mercado Livre, quero esquecer de tão horrenda. Tô nem aí se foi com cantora famosa, ficou muito ruim. O termo que eu gosto para definir é “escalafobética”.
A do Itaú é a única que tentou se reconectar de alguma forma com a verdadeira essência da propaganda. Ficou boazinha, mas cansativa, chatinha, bem irreal.
Pra quem tem mais de dois neurônios funcionando e sabia que a seleção brasileira nem em sonhos voltaria com o desejado hexa (que parece estar mais longe que Plutão), não fazia muito sentido.
“Mostra sua força Brasil”. Eu ri demais! Com aquele elenco? Que força? Onde? Se você estava mesmo acreditando, corre pro psiquiatra viu.
Voltando ao que interessa pra nós no marketing, o relógio tá correndo meus amigos. Analistas de mídias pagas estão frenéticos subindo milhões de campanhas no pós copa. Analistas de mídias sociais, designers e editores de vídeos gerando outros milhões de criativos e posts com seus Canvas, nervosos, apressados.
Quem não deixou tudo pronto antes, pode sofrer com instabilidades e falhas nas plataformas. Tem ocorrido com muita frequência.
O maior problema que ainda reverbera? Os custos.
Será que teremos uma trégua das plataformas para reaquecer a economia do país? Ou seremos espremidos até o último centavo para o lucro ficar todo para elas?
Retomada das campanhas sazonais e os custos das plataformas
Se você é anunciante, percebeu que os custos da publicidade nas plataformas de anúncios durante a copa do mundo estavam exorbitantes, escandalosos de caros.
A tendência é de uma leve retração nos custos, mas não espere muito, porque já temos volta às aulas e dia dos pais chegando.
Por falar em dia dos pais, você deixou tudo pronto e já vai começar a veicular agora, né? Não fique esperando a última semana para chegar na agência como louco dizendo “precisamos por uma campanha no ar pra amanhã”.
Se você imaginasse o ódio que ‘supita’ nas equipes quando um cliente faz isso, por pura negligência ou a desculpinha esfarrapada de “eu não tive tempo”, não faria isso novamente.
O mais provável é de uma campanha cagada que dará pouco ou nenhum resultado. E a culpa, é sua, não da agência, não dos profissionais, não da plataforma. Toda SUA, pela desorganização irremediável!
Tem tempo pra rolar tela à toa, mas não tem tempo de cuidar da própria empresa. Conte-me mais sobre isso!
Os anúncios precisam ser coerentes
Um dos pontos primordiais sobre a publicidade, é que a comunicação deve estar alinhada em todas as mídias veiculadas pela empresa.
É impossível querer que uma empresa que parece ser quatro diferentes obtenha o mesmo sucesso que uma que tem exatamente o mesmo visual em todas as suas plataformas.
Não entendeu? Explico!
Você entra, por exemplo, no site da Loja da Maria, de utilidades e presentes. Um visual atraente, fundo claro, fotos dos produtos bem feitas, títulos, descrições, opções de cores, tamanhos, dimensões dos produtos, peso, frete, tempo de entrega, tudo organizado. O padrão da marca aparece.
Aí você vai no Instagram, parece que acabou de entrar em uma Loja da Maria, que não é “aquela” loja que visitou no site, parece uma outra empresa, outra linguagem visual, cores, não tem nada que faça aquele perfil se parecer, nem de longe, com a empresa exposta no site.
O cliente acessa o Youtube ou TikTok e encontra a mesma cena patética, encontrou outras duas empresas completamente distintas “daquela” Loja da Maria que o site parece confiável, mas o restante da comunicação destrói a confiança do usuário.
O que acontece?
Carrinho abandonado meus caros. Carrinho abandonado = venda perdida, menos dinheiro no caixa da empresa. Fora a reputação que foi pelo esgoto.
Então aja com inteligência. Todos os seus canais de mídia devem ter a comunicação alinhadas para que o usuário sinta confiança em comprar da sua empresa.
Não adianta derramar dinheiro no Google Ads e Meta Ads sem ter um plano de ação muito claro.
Cultura empresarial é pauta na sua empresa? Veja o artigo Cultura empresarial: por fora bela viola, por dentro pão bolorento
O marketing da esperança não vai te salvar
Sabe aquela ilusão que muitos empreendedores têm de “se eu fizer o que o meu concorrente está fazendo, vai dar certo pra mim também”?
Se tem uma coisa que me faz pular fora de qualquer projeto é esse papo de perder mais tempo com a empresa do concorrente do que com a própria.
Análise de mercado, de concorrentes, faz parte do marketing, mas não como prática diária de ficar monitorando e copiando.
Outra prática do marketing da esperança que ocorre muito é o do achismo, do “ouviu o galo cantar, mas não sabe onde”. Porque um guru disse ou viu um vídeo dizendo que dá certo, e lá se foi mais um bobo que quebrou a empresa com conversa de gurus.
Quem não usa os dados coletados para tomadas de decisão inteligentes e planeja antes de agir, está sempre milhões de quilômetros atrás e não tem copia e cola que resolva isso.
Caso apareça um “gestô de tráfigu” dizendo que ele tem “a solução” e sua empresa vai bombar em 30 dias, dê uma caixa daqueles estalinhos pra ele brincar de jogar no chão no parquinho, mas não deixe brincar com o dinheiro do seu negócio.
Publicidade e marketing são coisa séria, para gente séria!
A pérola do Dino!
Eu adoro boas analogias e ditados populares. Eles contêm o sumo da sabedoria popular que ultrapassa gerações e continuam sempre atuais.
É por isso que sempre as uso. Elas ilustram com clareza um pensamento, sintetizando todo um contexto numa frase curtinha.
Este ditado por exemplo, pode ser qualificado como o cerne da nossa questão com a publicidade no segundo semestre de 2026 pós copa, de recordes de audiência em transmissões ao faturamento estrondoso da Fifa, de streamers e influenciadores.
Reaquecer o mercado sonolento, empresas despreparadas, desorganizadas, sem planejamento algum, para retomarem a tentativa de crescimento em meio a tantas incertezas no cenário nacional.
Daqui pouco mais de um mês, começam os anúncios políticos e as eleições.
Caos à vista timoneiro, toda potência à boreste! Ou bombordo… ou à popa… ou pra cima? Cadê o comandante do navio? Ninguém sabe, ninguém viu! “Do Leme ao Pontal, não há nada igual… toma um guaraná, suco de caju, goiabada para sobremesa…”
Resumindo, tudo uma zorra!
A melhor dica que posso deixar para qualquer empresa até o fim deste ano, independente do porte: faça um plano de marketing de 1 página, mire num alvo (objetivo) e faça tudo para atingi-lo (metas curtas e realistas).
Se fizer mais do que isso, você aumentará suas previsões de incerteza e mergulhará na profundidade caótica dos próximos episódios (meses) deste oceano de despautérios. E, não entre em polarizações de nenhuma espécie.
Abraço do Dino! 🦖
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